Isn’t It A Pity

E aí, galera?

Estou trazendo o segundo capítulo da fanfic O Baterista. Os posts agora receberão o nome de cada capítulo. Este daqui está mais longo que o primeiro, porém, mais impactante. A canção que o nomeia é Isn’t It A Pity, do George Harrison.


Ele era o baterista dos Beatles. Estava evidente, era mais do que claro! Quando Faith viu aquela mansão – que ele chamava de casa –, e juntou os fatos (ele tinha um mop-top na cabeça, e seu nome era estranho que nem o do tal Beatle) percebeu o quanto estava sendo tonta. Quantos pôsteres deles existiam na sua casa, e ela sequer reparou que um dos rapazes estava a sua frente?
– Espera um pouco… Acho que eu conheço você de algum lugar!
Ringo olhou para os lados, disfarçando, e se virou novamente para a garota.
– Eu?! Você deve estar me confundindo com alguém, não? Nunca tinha te visto na vida.
Ele engoliu em seco. Vai começar a gritaria, pensou Ringo. Ela vai berrar e depois perguntar sobre o Paul – elas sempre perguntam sobre o Paul.
– Você é dos Beatles, não é?
O baterista arregalou os olhos. Havia realmente acabado o seu disfarce. Na beira do lago, Ringo pensou que, como ela não havia falado nada, não conhecia a banda. Mas era impossível demais que, em 1965, alguém na Inglaterra – e no resto do mundo – não soubesse dos Beatles.
– Não me diga que você é uma fã – falou, abrindo a porta da garagem (visto que Faith estava calma, e não gritando, senão nem teria aberto).
– Eu prefiro Bob Dylan.
Aquilo aliviou o rapaz. Não aguentava mais o carinho excessivo das fãs, embora elas fossem parte importante em sua vida. Ringo sorriu, ainda mais, pelo fato dela preferir o cantor. Os próprios Beatles eram totalmente fãs de Bob Dylan.
– Eu também.
Um ponto de interrogação surgiu no rosto dela, mas Faith entendeu a resposta do garoto em seguida.
– Entra no carro. Eu irei pôr Dylan no rádio – Ringo disse, rindo.
Ele sabia que ela ficaria impressionada em ver o veículo. Todos ficavam deslumbrados com ele. Era de se imaginar que os Beatles ganhavam muito dinheiro. Muito dinheiro.
– O que você acha dele?
Faith pensou duas vezes antes de responder. Sorrindo, disse, para agradá-lo:
– É bem bonito.
– Bonito? Isso é um Vegal Facel, ele é francês! É o carro do século!
– E o senhor já pensou em como nós vamos molhar todo o seu carrinho?
Ringo abanou a cabeça, dizendo que não havia problema. Abriu a porta para a moça e se acomodou no banco do motorista. Depois de tirar o carro e fechar o portão, pôs o pé no acelerador e ligou o rádio. Após procurar um pouco, conseguiu achar Ballad of a Thin Man.
O bairro em que Ringo morava e onde também ficava o consultório do Dr. Christopher era um dos mais nobres de Londres, com famílias tradicionais e pouco movimento.
– Onde fica a sua casa? – ele perguntou.
– Não posso ir para casa. Eu tenho uma consulta marcada, não te disse?
– É aqui perto?
– Sim, daqui a três quarteirões.
Após um silêncio embaraçoso, ele perguntou se tinha alguém na casa de Faith que fosse fã dos Beatles. Ela afirmou – havia seus irmãos.
– Se eu aparecer por lá… Eles não vão gritar ou coisa parecida?
A moça franziu o cenho, pensando no que ele queria dizer.
– Aonde você quer chegar?
Ringo, ajeitando o retrovisor, tentava pensar em uma resposta. Tinha brigado feio com a esposa, e ele acabou saindo de casa. E, claro, não tinha cara para voltar e pedir desculpas; mas sabia que uma hora alguém teria que perdoar, e outro alguém teria que ser perdoado. Os dois eram amigos, acima de tudo. Um casamento livre, mas com certo respeito. Faith não podia saber disso. Ele estava um pouco afim dela, na verdade. Ela não era nenhuma Audrey Hepburn, mas tinha certo charme jovial. Parecia tão inocente… No entanto, mesmo sabendo que ele era um Beatle, e evidentemente bem mais velho, ela não hesitava em lhe dar respostas afiadas, no nível das piadas dele. Isso era empolgante para Ringo. Mas Faith parecia ser uma moça “de família”, portanto, claramente, ele não teria chances com ela se dissesse que era casado.
– Minha mãe… Minha mãe me expulsou de casa – falou, gaguejando. Ele nunca soube mentir bem.
– Você não mora sozinho? Imaginei que um Beatle não morasse com a mãe.
“Droga! Por que ela precisava fazer tantas perguntas?”, ele se questionava. Desse modo Ringo seria obrigado a mentir mais, e ia acabar virando uma bola de neve.
– Ela mora comigo. Duvido se você conseguiria ficar sozinha naquela casa gigante.
Ele deu uma olhada pelo vidro do passageiro, disfarçando, e continuou:
– Ei, não é aqui seu médico?
É claro que, a partir do momento que se embolou na conversa, Ringo começou a acelerar, acabando por chegar mais rápido no tal quarteirão. Ele saiu do carro e abriu a porta do passageiro.
– Vamos – Ringo chamou, sinalizando com a mão.
Faith pensou que ele ficaria no veículo, mas achou simpático de sua parte que a acompanhasse até ao consultório.
– É médico do quê? – perguntou, no caminho.
– Neurologista.
Ringo assentiu com a cabeça, contornando um canteiro. Abriu a porta do estabelecimento, sentando, em seguida, em uma das cadeiras, enquanto Faith falava com a secretária. Eles estavam com as roupas e sapatos encharcados, e o piso do lugar já estava todo sujo de lama. Faith voltou, indo em direção às cadeiras. Ela pareceu meio assustada ao ver o que eles tinham feito com o chão.
– Você deve ser bem rica para vir em um médico desses… – ele exclamou, tremendo de frio. Suspeitava que aquela roupa molhada fosse acabar deixando-o gripado.
Acomodando-se na cadeira, ela o respondeu, contrariada:
– Isso não é muito gentil de se falar.
Ringo viu um senhor de jaleco na porta de uma sala. Ele chamou o nome da moça, casualmente, sem citar seu sobrenome. Era provável que eles já se conhecessem.
– Eu acho que te chamaram.
Faith olhou para o doutor, que esbanjava um sorriso amarelo. Ela pôs o seu casaco no colo de Ringo, e se dirigiu até a porta.
– O que aconteceu com você? – o homem disse, ríspido, antes de cumprimentá-la.
Faith passou as mãos em sua roupa, visivelmente constrangida.
– Bem, digamos que… – ela não conseguia parar de gaguejar – eu tive um imprevisto. Se o senhor preferir que eu volte para casa e me troque…
Ele abanou a cabeça, negando, e solicitou que Faith entrasse.
– Sente-se – pediu, afastando uma cadeira de madeira forrada – diga-me, como vão seus pais? Está todo mundo bem?
Ela respondeu, sentando-se de frente para o médico:
– Estão todos bem, doutor Chris.
– E os negócios do seu pai?
Doutor Christopher sempre foi uma pessoa invejosa, segundo Mansur. O homem sempre perguntava, tentando despistar, sobre os negócios da sua família – parecia querer competir com ele, também médico. Sentia prazer em ver o pai de Faith, doutor Mansur, em má situação. Ele tentava sempre se sentir melhor do que os outros. Christopher vivia por aparências. Entretanto, Mansur não quebrou os laços com o colega, porque para ele não havia necessidade. Chris nunca havia sido alguém mau de verdade.
– Ficou melhor agora, que o inverno está chegando. O senhor sabe, as pessoas ficam mais gripadas nessa época.
A decoração do lugar dava certo enjôo a Faith. Os armários eram de um verde-água encardido, contudo, parecia que as paredes brancas haviam sido pintadas novamente, desde a última vez em que ela esteve ali. O gabinete do doutor era novo e de madeira maciça, contrastando com os móveis de má qualidade onde estocava alguns medicamentos.
– Enfim, o que a senhorita está fazendo aqui?
Ela ainda não havia pensado direito no que falaria ao médico. Decidiu, nervosa, contar tudo de uma só vez:
– Sabe o Kahin, doutor? – ele concordou com a cabeça, um pouco impaciente. – Eu estive percebendo, esses dias, que ele anda perdendo o equilíbrio. Já o flagrei caindo, diversas vezes, sem nenhuma explicação. Também o vi, um dia desses, tentando escrever, mas não conseguia usar o lápis direito. E isso tudo foi recentemente. Ele está andando de forma estranha. Eu consultei um professor de biologia, e ele disse que poderia ser a Doença de Lou Gehrig.
Christopher estava perplexo. Por que Faith não havia perguntado a Mansur, seu próprio pai? Ele não tinha percebido o estado do filho? Se isso tudo tivesse acontecido realmente, como a garota relatou, Kahin estaria entrando em um quadro de esclerose lateral amiotrófica, uma doença rara e totalmente destrutiva – e, principalmente, sem cura.
– Quando esses sintomas começaram?
Faith mordeu o lábio inferior, tentando lembrar.
– Há uns dois meses.
Anotando em seu caderno, o homem continuou:
– Houve algum familiar que teve sintomas parecidos?
Ela pensou um pouco antes de responder, no entanto, não se lembrou de ninguém.
– Não, doutor.
– Certo. Eu preciso que você me traga Kahin aqui amanhã, escutou? Quero ver a sua situação com os meus próprios olhos.
– Vai desculpar-me, senhor… Mas, muito provavelmente, Kahin não irá querer.
Estressado, e ao mesmo tempo preocupado com o estado do garoto, respondeu:
– Não é questão de querer ou não, filha. Você precisa trazer Kahin aqui, para eu fazer os exames e analisar os sintomas.
– Eu vou ver o que eu posso fazer. Se for pela saúde dele, eu tentarei trazê-lo amanhã.
Christopher, não perdendo a oportunidade, perguntou:
– Por que você não consultou a Mansur?
Isso nem havia passado pela mente dela, na verdade. Ver Kahin doente seria algo que deixaria seu pai extremamente aflito e angustiado. Fora que a especialidade de Mansur era psiquiatria, não neurologia. Mesmo se o doutor Chris não fosse amigo da família, ela acabaria procurando um médico especializado nisso.
– Tanto eu como a minha mãe não quisemos deixar meu pai preocupado, sem ter confirmação de nada. Ele anda trabalhando muito, acabou não percebendo o estado do meu irmão.
– Se responsabilize de contar isso a ele, após a próxima consulta. Senão eu mesmo contarei.
Faith abanou a cabeça, depressa.
– Não vai ser necessário, doutor – afirmou, levantando-se.
Ótimo, ele disse, abrindo a porta para a garota.
– Mande um abraço para seus pais e seus irmãos.
Abanando a mão, em despedida, ela respondeu:
– Pode deixar, o mesmo para a sua família.
– Até logo – disse o médico, fechando a porta na cara da menina. Não tinha a menor paciência para adolescentes.
Faith andou, um pouco aturdida, até Ringo. Parecia que o caso de Kahin era grave, pelo modo que o doutor se expressou. De todo modo, já não era uma surpresa, visto que Faith já desconfiava. Mesmo assim, estava triste pelo irmão.
– Vamos – disse a Ringo, que a entregou seu casaco molhado.
– Foi rápido. E aí? O que aconteceu?
Caminhando em direção ao carro, Faith foi respondendo:
– Provavelmente meu irmão está muito doente. Tipo, muito mesmo.
– O que ele tem?
– Não sei ainda. O doutor mandou trazê-lo aqui amanhã, mas eu acho que é uma tal de esclerose. Tem mais uns nomes depois, mas não lembro – falou, ajeitando um cabelo atrás da orelha.
– Eu já ouvi falar disso. É uma doença que deixa a pessoa sem poder fazer nada, não é?
Ringo abriu a porta do carro, enquanto ela afirmava com a cabeça.
– Mas me diga, onde é a sua casa?
– É no fim da avenida. Quando a rua estiver perto eu aviso.
Ele estava tentando tomar coragem para chegar a certo assunto (ou seja, queria pedir para morar uns dias na casa dela). John morava com a Cyn, Paul estava na casa de Jane, e George em uma viagem de fim de semana – ou seja, ele não tinha muito onde ficar. Não daria pra pegar uma viagem para Liverpool e se hospedar na casa da sua mãe, pois teria um show na capital na segunda-feira. Hotéis? Correndo o risco de ter seu quarto invadido por fãs? Fora de cogitação.
Em cinco minutos, na frente de Ringo estava a solução dos seus problemas: um sobrado modesto, com portas e janelas de madeira vermelha. Então explicou para Faith o seu plano. Ele ficaria uns dias ali, até convencer a sua “mãe” de deixá-lo voltar para casa. Em troca, Ringo afirmou que tinha certeza que o irmão de Faith ficaria mais feliz com a presença de um Beatle ali.
– Antes de entramos, preciso te avisar uma coisa.
– O quê?
Faith coçou a cabeça, pensando em como explicar.
– Meus pais são paquistaneses, porém, estão aqui na Inglaterra desde que eu nasci… Mas tem uns costumes que eles ainda não deixaram para trás. Você tem que ser muito formal perto deles.
– Eu não vou fazer bagunça na sua casa.
– Não é essa a questão. Você vai ficar ali na porta, esperando até que eu volte. Só depois você entra.
Ringo estranhou a ordem, confuso.
– Aí eu vou ficar plantado aqui?
Faith suspirou, pensando no quê estava fazendo levando um Beatle para casa.
– Na teoria não, já que você vai ficar lá na porta e não no carro.
Ele fez uma careta mal-humorada, continuando:
– Engraçadinha… Vai ser rápido? Seria uma pena se seu irmãozinho não tivesse um Beatle em casa.
– Se ele não precisou de um Beatle até agora, por que você acha que logo hoje ele iria querer?
Ringo abanou a cabeça, rindo:
– Todo mundo quer um Beatle!
Faith abriu o carro, tentando não rir da falta de lógica da conversa. Ele foi caminhando até a porta. Num impulso, tocou a campainha – em seguida, viu o que tinha feito. A menina saiu correndo até a porta, batendo no seu braço:
– Você é louco? Por que fez isso?
Ele, de olhos arregalados, não sabia explicar-se. Apertou casualmente, sem querer.
– Foi de impulso! Quando eu vi já tinha apertado!
Com as mãos na cabeça, continuou:
– De todo jeito, você não poderia chegar dizendo ”ei, mãe! Tem um cara ali na porta, ele pode passar a noite aqui?”
– Eu iria conversar com ela primeiro!
Faith não sabia se mandava Ringo de volta para o carro e entrava na casa como se nada tivesse acontecido, para contar sobre ele depois; ou se já chegava mostrando-o e falando que eles tinham visita.
Poucos segundos depois, a porta abriu. Faith não sabia se era sorte ou azar que, Thomas, seu irmão mais novo, tivesse aberto-a. Ela puxou o casaco de Ringo pela manga, tentando escondê-lo atrás de si, mas ainda assim guiando-o pela entrada da casa. Ele se deparou com um garoto baixinho, de uns onze anos.
– Thommy… Chame a mamãe, por favor. Nós temos visita.
Thomas achou muito estranho aquele cara atrás da sua irmã. Não conseguia vê-lo direito, pois Faith estava tampando-o (propositalmente, pelo visto). Será que ela havia arrumado um namoradinho e queria apresentá-lo à sua mãe?
No ouvido da garota, Ringo sussurrou:
– Ele é beatlemaníaco?
Ela não respondeu, apenas empurrou o rapaz para frente dizendo:
– Thommy, esse é o Ringo. Eu preciso que você…
O garotinho pôs a mão na boca, sem fôlego. As suas pernas ficaram bambas e moles. Sua boca sussurrava “meu Deus…”, entre os dentes, sucessivamente. O coração passou a bater mais rápido, e ele começou a sorrir.
– Não é possível… Não, não…
Ringo sorriu, mexendo as mãos e cantando um verso de She Loves You:
Yeah! Yeah! Yeah!
Faith olhou para ele como se dissesse “eu não acredito no que você está fazendo”, mas rindo em seguida.
– E aí, cara? – Ringo falou, aproximando-se do garoto. – Seu nome é Thomas, não é?
Eles deram um aperto de mãos e se abraçaram. Thomas segurava as lágrimas, já que seu pai dizia que ele estava grande demais para chorar.
– Eu sou muito fã dos Beatles… Ai meu Deus, Faith pega um papel pra mim! – disse, puxando o braço da irmã, ao mesmo tempo em que procurava uma caneta nos armários.
Faith segurou os ombros do irmão, que estava histérico.
– Thommy, o Ringo está vindo passar uns dias aqui em casa, só que eu tenho que perguntar para a mamãe!
Ele pôs as mãos na cabeça, pasmo. Não era real, não podia ser.
– O Ringo vai ficar aqui em casa? – gritou.
– Para de gritar, Thomas! E se a mamãe escutar? Ela vai vir aqui e não vai entender nada! Se isso acontecer, só para você ficar sabendo, ele não vai mais ficar aqui.
O garoto saiu correndo, gritando mamãe pela casa. Ringo aproveitou para dar uma olhada rápida na sala. Era aconchegante, confortável. Tentou convencer-se, nervoso, que a dona do lugar também seria acolhedora, assim como seu lar.
– Você acha que ela vai aceitar? – ele perguntou, com certo receio da anfitriã despejá-lo.
Faith sorriu ao vê-lo com medo de sua mãe.
– A minha mãe é a melhor pessoa do mundo! Ela nunca mandaria para fora o baterista dos Beatles. E, se mandar, Kahin e Thomas te trazem de volta. Não precisa ficar preocupado.
– Sabe… Obrigado por isso tudo.
– Só estou retribuindo a voltinha no Vegal Facel – respondeu, rindo, e dando ênfase no nome do precioso carro.
Escutaram a mãe gritando ao fundo e, mais distante, uma voz grave e imponente. Faith engoliu em seco.
– É o meu pai – murmurou, com as mãos na cabeça.
– E o que tem haver? – Ringo perguntou, confuso.
– Eu iria contar para ele só depois. O plano era que eu e minha mãe o convencêssemos.
– E agora? – disse, com os olhos arregalados.
Antes que Faith pudesse responder, ouviram passos pesados na direção da sala em que estavam. O olhar profundo de um senhor de meia-idade correu pelo rosto de Ringo, que desviou seus olhos. Mansur observou também a filha, com insatisfação.
– Eu posso saber o nome do cavalheiro?
Pelo menos, até que enfim, alguém o reconhecia como um cavalheiro. Faith olhava, sucessivamente, de Ringo para o pai. O rapaz vacilou um pouco antes de respondê-lo. Não que ele tivesse ficado com medo do homem – ficou, na verdade, com um pavor inigualável.
– As pessoas me chamam de Ringo Starr, senhor – respondeu, gaguejando.
O rosto de Mansur se tornou ainda mais austero. Ele tirou seu cinto, e Ringo viu um lampejo de pânico surgindo no olhar de Faith.
– Quantas vezes eu terei que falar para você que dinheiro não compra tudo?
E, em um instante, Ringo viu aquele pai indo, sem nenhum remorso, bater em sua filha.

“Não é uma pena?

Agora, não é de se envergonhar

Como despedaçamos nossos corações

E causamos dor um ao outro?

Como cada um de nós toma o amor do outro

Sem pensar em nenhum momento.”

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